Avaliação Sandero R.S. – Parte I

2015-09-26 17.43.22.2Está mais do que claro que a Renault surpreendeu o mercado brasileiro com o lançamento do Sandero R.S. 2.0 16v de 150cv e 6 marchas. Um esportivo de verdade, fabricado no Brasil e carimbado pela francesa RenaultSport. Mas, afinal, quais são os detalhes e impressões que diferenciam o RenaultSport dos demais modelos?

O Renault Clube iniciará uma série de avaliações para mostrar exatamente do que o Sandero é capaz, ou não. Nesta primeira etapa, vamos avaliar apenas a construção do carro. Detalhes do interior, exterior e montagem do veículo.

INTERIOR

A Renault priorizou o desempenho para este modelo, e não o design de algumas peças que compõem o interior do Sandero R.S.. Algumas partes plásticas foram utilizadas, sem grandes ou nenhuma mudança em comparação aos modelos Expression e Dynamic da montadora.

Em contrapartida, os bancos dianteiros surpreendem. São confortáveis, com abas laterais altas, famoso “concha”. Não há tanta rigidez nas espumas, porém o conjunto funciona muito bem no seu propósito: segurar o motorista no lugar. Os bancos traseiros, não foram modificados. São os mesmos que equipam os demais Sanderos da montadora, apenas com o tecido seguindo o design interno do carro. O banco do motorista conta com ajuste de altura.

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Em conjunto com os bancos concha, a qualidade da confecção e pegada do volante Renault Sport, torna a condução muito mais interessante e segura, e há ajuste de altura. A qualidade do material utilizado e o design são de muito bom gosto e funcional. A alavanca de marchas não fica distante e formam um trio perfeito. Com altura correta, engates firmes e curtos, sentar-se ao banco do motorista deste Sandero pode ser mais do que divertido. Algumas fotos são cortesia do FlatOut Brasil. 🙂

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Painéis, portas e forro de teto não ganharam upgrade de material ou design. Não que seja algo realmente necessário em um carro com propósito esportivo. Na parte interna das portas foi utilizado um material plástico em peça inteiriça, sem detalhes ou inovações, todas derivadas dos modelos já comercializados. As alavancas de abertura de portinhola de combustível e porta-malas também são bem simples, e ficam localizadas no assoalho, ao lado do banco do motorista.

O comando dos vidros elétricos dianteiros (duplo na porta do motorista) ficam nas portas, os traseiros também, mas há um segundo comando no painel central, logo abaixo do sistema de ar-condicionado, que por sinal é o mesmo do Sandero normal, e ao lado dos botões de comando do aviso de velocidade e troca de modalidade de condução (Sport e Sport+). Os difusores de ar seguem o mesmo padrão, apenas receberam um pequeno detalhe em vermelho, seguindo o estilo dos bancos, painel de instrumentos e volante. Os ajustes do retrovisor (elétricos), travamento de vidros traseiros e assistente de manobra, ficam todos localizados no lado esquerdo do painel do motorista, abaixo do difusor de ar lateral e ao lado do volante.

As demais partes internas do Sandero R.S.: porta-malas (interno), tampão do porta-malas, acabamentos e etc, são todos derivados dos modelos convencionais do Sandero. Incluindo o estepe com roda de ferro aro 15 polegadas e pneu de medida 185/65 Continental.

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EXTERIOR

Em minha opinião, a parte mais bonita do Sandero R.S.. Definitivamente a Renault e a RenaultSport acertaram no design do carro. O parachoque e grades dianteiras em combinação com o DRL (Daytime Running Lights) carregam as linhas da RenaultSport que vemos na Europa, com muitas semelhanças ao Clio e Mégane R.S.. Esta identidade não muda quando olhamos a traseira do esportivo (e que traseira!). Abafador com dupla saída e detalhes cromados, aerofólio que segue as linhas esportivas do carro, rodas de liga leve aro 16 e 17 polegadas pretas importadas direto da França e os emblemas da RenaultSport na tampa do porta-malas, fecham com chave de ouro o exterior do carro.

Procuramos por algum problema no alinhamento de portas, capô, tampa do porta-malas, etc, e tudo pareceu muito bem alinhado, incluindo a fixação das saias e aerofólio traseiro, adesivos e demais detalhes externos. Os retrovisores possuem piscas integrados e rebatem tanto para frente, quanto para trás. O que pode ajudar a salvar a peça em colisões ou descuidos.

A suspensão não é das mais altas e também não é baixa, classificaria como ideal. É firme e tem, aproximadamente, quatro dedos de distância entre o pneu e o para-lamas, neste modelo que vem equipado com rodas aro 17. Os pneus que acompanham o carro de fábrica são bons. Nos próximos testes devemos testar um pouco melhor, mas pelas avaliações do nossos amigos do FlatOut Brasil, parece que seguram bem e acompanham o propósito do carro. Modelo é o ContiSportContact3 205/45 R17, para este modelo. Na versão 16 polegadas, as medidas são 195/55.

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Alguns pontos chamaram a atenção em certas partes do exterior do carro. Uma delas foi o suporte móvel da antena do rádio, que fica no teto, na parte dianteira. Este suporte é utilizado pela Renault há muitos anos, desde que o Clio Mk2 começou a ser vendido no Brasil no ano 2000. Um outro ponto foi a mangueira do esguicho do limpador do para-brisas dianteiro. Mesmo com o capô fechado, ele fica “exposto”. Não são pontos que comprometem a estrutura e integridade do carro, muito menos a funcionalidade do sistema.

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COFRE MOTOR

Por último, mas não menos importante, o espaço que “agasalha” o 2.0 16v de 150cv e o câmbio manual TL4 de 6 marchas. Ao abrir o capô, a Renault já ganha pontos pelo amortecedor que sustenta a peça e a mantém aberta, sem que haja necessidade de encaixar aquela haste chata dentro do cofre. Os pontos positivos não param por aí. A admissão de ar do motor é de se respeitar, afinal, uma espécie de CAI (cold air intake) leva o ar frio direto da frente do carro para a caixa de ar, que pode ter sua tampa superior removida. O ronco do motor fica mais encorpado e, provavelmente, há algum ganho de potência, já que o fluxo de ar fica maior na admissão.

O capô do Sandero R.S. vem com uma manta isolante, aumenta o conforto e diminui ruídos quando você não está afim de se incomodar com o ronco do 2.0. O único ponto que chamou atenção dentro do cofre, foi o cabo acionador, que é utilizado para destravar o capô de dentro do carro, ele simplesmente passa por cima da caixa de fusíveis e relés, e não por um caminho escondido/protegido. Não parece ser algo que atrapalhe ou tenha possível dano da peça, mas pode tornar chato uma possível manutenção na caixa elétrica.

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O Renault Sandero R.S. mostrou-se bastante atraente no quesito design e qualidade de montagem, apesar de ter muitas peças derivadas de seus irmãos mais “mansos”. A estratégia da Renault, ao nosso ver, foi criar um esportivo que se adequasse à um nicho de mercado bastante atraente: esportivo de “baixo custo”. Nós todos sabemos, claro, que qualquer carro, de qualquer montadora, tem um preço elevado no Brasil, principalmente se compararmos aos nossos vizinhos de fronteira. Porém, a Renault conseguiu fazer com que este Sandero ficasse em um patamar de preço bastante aceitável se analisarmos os esportivos de mesma categoria (quando existem) do marcado nacional.

Para que o custo de venda ficasse na casa dos R$58.880,00 (modelo de entrada, com rodas aro 16), foi preciso “economizar” em algumas partes do carro, não somente no desenvolvimento de peças, que é bastante custoso para qualquer montadora, mas também no aproveitamento de tecnologias que a Renault já tinha dentro de casa: Powertrain do Renault Duster, peças do interior de modelos já comercializados no Brasil. Isto é bastante importante, principalmente porque o Sandero R.S. não é importado, então o acesso a peças é muito menos burocrático e custoso para o consumidor. Manutenção idem, já que a Renault tem o F4R no mercado nacional há alguns anos.

Mas não desanimem, uma enorme gama de peças e ajustes foram desenvolvidos especialmente para esse hot hatch, e são elas que tornam o Sandero R.S. tão atraente e bastante interessante para o consumidor, afinal, são estas que realmente importam quando se fala de um esportivo de verdade. O motor é 2.0 16v da Duster, recebeu uma nova admissão de ar e configuração da central feita 100% pela RenaultSport da França, bancos conchas, câmbio 6 marchas completamente reescalonado para o modelo, suspensão firme, pneus largos, rodas de liga leve importadas da Europa, volante multifunção com pegada esportiva e design completamente novo, controles de tração que podem ser ajustados ou completamente desligados para se tirar o máximo do carro nas pistas, através de um botão R.S. no console central, escapamento com melhor descarga e maior diâmetro, para-choques dianteiros e traseiros RenaultSport e o DRL, que além de deixar o visual muito mais bonito, é um item importante de segurança.

 

 

 

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